ANDANÇAS E POÉTICAS MARGINAIS: TRAJETÓRIAS, SOCIABILIDADES E PROFISSIONALIZAÇÕES ENTRE
B.BOYS E B.GIRLS.
Hip Hop; Breaking; Autoetnografia; Profissionalização;
A pesquisa em estágio inicial investiga as trajetórias e processos
de profissionalização de jovens B.boys e B.girls por meio de uma
abordagem autoetnográfica e entrevistas compreensivas que
buscam reconhecer o corpo como arquivo sensível e produtor de
conhecimento. Parte-se da compreensão do Hip Hop como
movimento cultural, epistemológico e político, cuja força
formativa emerge das práticas de resistência, criação e
reorganização comunitária. Metodologicamente, a investigação
articula a tríade: ver, ouvir e escrever proposta por Roberto
Cardoso de Oliveira (1998), entendendo que o trabalho de
campo, quando atravessado pelo corpo que dança, exige uma
presença implicada e reflexiva. Inspirado pela crítica de Bourdieu
(1983) à “ilusão biográfica”, o texto reconhece que a trajetória no
Breaking é marcada por rupturas, disputas e descontinuidades
que estruturam a experiência juvenil nas periferias. A
profissionalização no Breaking é analisada à luz das tensões
discutidas por Simões (2012), especialmente no que se refere à
negociação entre criatividade, mercado e ideologias de
autenticidade. Por fim, a pesquisa mobiliza outros pensamentos
(Nego Bispo, 2015; Rose, 1994; Chang, 2005; KRS-One, 2009;
Dayrell, 2007; Feixa, 1999; Caiafa, 1985; Augé, 2010; Diógenes,
2008) e tem como hipótese que a prática do Breaking mesmo em
meio aos caminhos a qual os jovens possam trilhar
profissionalmente funciona como modo de reexistência,
produção de saber e re-criação comunitária que atualiza
memórias e territorialidades periféricas.