“O MANÉ DO ROSÁRIO É DOS NEGROS, É DE POXIM”: MEMÓRIA, TERRITÓRIO E DINÂMICAS CONTEMPORÂNEAS DO FOLGUEDO AFRO-ALAGOANO
Mané do Rosário; Poxim; Memória; Ancestralidade
Localizado no litoral sul de Alagoas, o povoado de Poxim, no
município de Coruripe, abriga uma das manifestações culturais mais
antigas do estado: o folguedo Mané do Rosário. Associado ao ciclo
festivo de São José e com aproximadamente trezentos anos de história,
o folguedo emerge das experiências históricas vivênciadas pela
população negra durante o período da escravidão em Alagoas. O Mané
do Rosário remonta à aparição de homens mascarados durante as
celebrações em homenagem a São José, episódio que marca sua
origem e permanece como um dos principais referenciais simbólicos
da manifestação. Partindo dessa trajetória histórica, investiguei como
os integrantes do Mané do Rosário, por meio de suas práticas,
narrativas e performances, transmitem os saberes entre gerações,
atualizam memórias ancestrais e reafirmam Poxim como lugar de
origem e legitimidade histórica do folguedo. A pesquisa foi
desenvolvida por meio de uma abordagem etnográfica, através da
observação participante, entrevistas e registros fotográficos, tendo
como principal interlocutora a Mestra Traíra, atual líder do Mané do
Rosário, cuja atuação permitiu compreender os processos de
continuidade, transmissão de saberes e afirmação identitária que
atravessam essa manifestação secular.