Cultura, memória e identidade: história, artes e costumes no Museu Xucurus de Palmeira dos Índios – AL
Museologia; Indigenização; Educação; Antropologia social; Xukuru-Kariri.
Este trabalho surge de inquietações construídas ao longo da
minha trajetória acadêmica e pessoal, especialmente a partir de
minhas experiências no Museu Xucurus de História, Artes e
Costumes, localizado em Palmeira dos Índios – AL. A partir
disso, proponho uma análise crítica das formas como o museu
constrói e reproduz representações sobre o povo indígena
Xukuru-Kariri, tendo como foco os modos pelos quais essas
narrativas são atravessadas por disputas epistêmicas e
relações de poder. O estudo articula conceitos das áreas da
antropologia, educação e museologia, problematizando o papel
histórico dos museus enquanto instituições coloniais e
tuteladoras. Trata-se de discutir a necessidade de indigenizar
as estruturas museológicas, reconhecendo os povos indígenas
como sujeitos ativos e produtores de conhecimento. Além disso,
exploro a relação entre educação patrimonial e as
epistemologias indígenas, defendendo que a valorização dos
saberes ancestrais nos museus e nas escolas pode contribuir
para uma educação intercultural crítica, que desafie a
hegemonia dos modelos pedagógicos eurocentrados. A
discussão realizada evidencia que não basta apenas
descolonizar, isto é, revisar criticamente os legados coloniais
que sustentam exclusões e silenciamentos; é necessário
indigenizar, ou seja, reposicionar os povos indígenas como
agentes centrais na produção e circulação de saberes,
memórias e estéticas. Portanto, indigenizar os museus significa
reconhecer e incorporar outras epistemologias, transformando
esses espaços em territórios vivos de diálogo, resistência e
afirmação de cidadania.