A Grota do Cigano e a cidade: Uma Escrevivência de Mais 1 da Silva no profundo grotão
de Maceió
Antropologia urbana, Grotas de Maceió, Escrevivência, Cidade e periferia
A dissertação analisa as dinâmicas urbanas e socioespaciais de
Maceió a partir da Grota do Cigano. É articulado um debate
com a antropologia urbana e a antropologia da cidade
dialogando com autores como Agier, Magnani e Gilberto Velho.
A discussão é feita a partir das fronteiras simbólicas (Barth,
Hannerz e Bourdieu) e materiais que estão na estruturação e
nas relações entre “Maceió de dentro” e “Maceió de fora” e toda
as evidências que a racialidade, estigma territorial e as
desigualdades moldam e estruturam as experiências e o
cotidiano na Grota. Assim, o estudo faz uma leitura dos altos
indíces de violência que colocou Maceió na posição de mais
violenta, nas primeiras décadas dos anos 2000, descortinando
as políticas públicas e as dinâmicas em torno da pasta de
segurança pública que tenciona esse território que é chão e
identidade (Milton Santos) que produzem os modos de
circulação, pertencimento e, inclusive, exclusão. A
Escrevivência, inspirada em Conceição Evaristo, proporciona
um diálogo na perspectiva dos debates decolonais. A
Escrevivência é entendida como uma forma de narrar e
inscrever a cidade de Maceió partir das vivências e
convivências negras e periféricas, na tentativa de produzir outra
episteme e resistências frente às fronteiras que historicamente
silenciam as Grotas. Desta forma, o texto é uma leitura da
escrita da vivência em um território que não é apenas um
espaço de vulnerabilidade, mas de produção de sentidos,
uma agência, inclusive, de conhecimento e saberes sobre a
cidade de Maceió.