AVALIAÇÃO SOCIAL, CLÍNICA E MEDICAMENTOSA DA LEISHMANIOSE VISCERAL NO ESTADO DE ALAGOAS NO PERÍODO DE 2015 A 2024
Leishmaniose Visceral, perfil social, aspectos clínicos e terapêuticos
As leishmanioses estão presentes em mais de 98 países, especialmente na África,
Ásia e Américas, manifestando-se em diferentes formas clínicas, sendo a cutânea a
mais comum e a visceral a mais grave. Segundo estimativas da Organização
Mundial de Saúde, a prevalência mundial das diferentes formas clínicas da doença
ultrapassa 12 milhões de casos humanos. A leishmaniose visceral, com uma
mortalidade global estimada em 59.000 óbitos por ano, permanece como um
importante problema de saúde pública em vários países do mundo, incluindo o
Brasil, especialmente em regiões endêmicas como o Nordeste brasileiro. Nesse
contexto, este estudo teve como objetivo avaliar o perfil social, clínico e
medicamentoso da LV no Estado de Alagoas no período de 2015 a 2024. Trata-se
de um estudo observacional, retrospectivo, de abordagem quantitativa, baseado em
dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).
Foram analisados 516 casos confirmados de LV, evidenciando padrão endêmico
sustentado ao longo da série histórica, com pico de incidência em 2018 (3,7
casos/100.000 habitantes), seguido de redução progressiva até 2024. A letalidade
apresentou variação anual, com destaque para 2022 (18,8%), sugerindo maior
gravidade proporcional ou possível atraso no diagnóstico e tratamento. O perfil
sociodemográfico revelou predominância do sexo masculino (64,3%), maior
acometimento em crianças, especialmente entre 1 e 4 anos (20,5%), e elevada
frequência em indivíduos de raça/cor parda (86,4%) e baixa escolaridade, indicando
associação com condições de vulnerabilidade social. Clinicamente, destacaram-se
manifestações clássicas da doença, como febre (91,8%), esplenomegalia (89,4%),
hepatomegalia (84,2%) e palidez (82,2%), além de emagrecimento (78,2%) e
fraqueza (67,9%). Sinais associados à gravidade, como icterícia (21,2%), fenômenos
hemorrágicos (14,3%) e coinfecção por HIV (6,8%), foram identificados como fatores
relacionados a pior prognóstico. Em relação ao tratamento, os antimoniais
pentavalentes e a anfotericina B foram os medicamentos mais utilizados,
apresentando efetividade terapêutica, embora associados a potenciais eventos
adversos. Os resultados evidenciam que a leishmaniose visceral em Alagoas
mantém comportamento endêmico, fortemente associado a determinantes sociais e com importante impacto clínico, reforçando a necessidade de fortalecimento das
ações de vigilância, diagnóstico precoce e manejo adequado da doença.