A gente escreve também: o uso de nós e a gente nos textos motivadores do Enem à escrita autoral
variação linguística; nós e a gente; ENEM; pesquisa-ação.
Esta pesquisa tem como objetivo analisar a presença ou a ausência do tratamento da forma pronominal a gente nos textos motivadores da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), bem como em materiais didáticos de preparação, como o PNLD 2026 (Editora Moderna) e o caderno Foca o ENEM Alagoas. Fundamentada nos pressupostos da Sociolinguística Variacionista e Educacional, especialmente em Labov (2023 [1972]), Bortoni-Ricardo (2004; 2025) e Bagno (2007; 2013; 2019) a investigação parte da hipótese de que tais materiais, ao privilegiarem determinadas formas linguísticas em detrimento de outras, contribuem para a construção de um modelo de adequação linguística que nem sempre contempla a heterogeneidade do português brasileiro. De natureza qualitativa e interpretativista, a pesquisa configura-se como pesquisa-ação de base etnográfica, desenvolvida com uma turma do 2º ano do Ensino Médio Integral da Escola Estadual Francisco Leão, situada no município de Rio Largo/AL. Como instrumentos de geração de dados, serão utilizados a análise dos textos motivadores, rodas de conversa, júri simulado e o Diário de Bordo Metalinguístico, que permitem acompanhar os processos de reflexão linguística dos estudantes ao longo da intervenção pedagógica. A análise centra-se nos textos motivadores como objeto principal, buscando compreender de que maneira o uso ou o silenciamento das variantes nós e a gente contribui para a construção de um modelo institucional de escrita e para a formação do sujeito escrevente no contexto do ENEM. Nesse percurso, investiga-se como tais representações linguísticas impactam a produção escrita dos estudantes, especialmente no que se refere à construção de uma escrita autoral. Como produto educacional, propõe-se uma sequência didática voltada à ampliação da consciência sociolinguística dos estudantes, na qual se afirma o princípio de que a gente escreve também, compreendendo a adequação linguística como escolha situada, isto é, como exercício consciente de autoria em contextos sociais específicos.