Educação Permanente em Saúde na Atenção Primária: perspectivas de trabalhadores de uma Unidade Básica de Saúde em Maceió/AL
Educação Permanente em Saúde; Atenção Primária à Saúde; Processo de Trabalho em Saúde; Gestão em Saúde.
A Educação Permanente em Saúde (EPS) constitui-se como uma estratégia fundamental para a qualificação das práticas em saúde, ao reconhecer o trabalho como espaço de aprendizagem e transformação. No contexto da Atenção Primária à Saúde, sua incorporação no cotidiano dos serviços ainda enfrenta desafios, especialmente diante das condições concretas de trabalho e da predominância de uma lógica produtivista, o que limita a criação de espaços coletivos de reflexão e aprendizagem. Este estudo teve como objetivo analisar as perspectivas dos profissionais de uma Unidade Básica de Saúde acerca da incorporação da Educação Permanente em Saúde no processo de trabalho, considerando suas experiências, práticas e os sentidos atribuídos à EPS no cotidiano. Trata se de um estudo qualitativo, de caráter exploratório-participativo, fundamentado na abordagem da pesquisa participativa. A produção das informações ocorreu por meio de oficinas com trabalhadores da unidade, conduzidas de forma colaborativa. O material empírico foi analisado à luz da Análise Foucaultiana do Discurso, possibilitando a identificação de regularidades discursivas e dos modos como a EPS é significada no cotidiano dos serviços. Os resultados evidenciaram que a EPS é frequentemente compreendida de forma restrita, associada a ações pontuais de capacitação, e sua incorporação encontra-se tensionada por fatores como sobrecarga de trabalho, organização dos serviços orientada por metas e limitação de espaços coletivos de reflexão. Por outro lado, identificaram-se movimentos de resistência e iniciativas que apontam para a potência da EPS como prática coletiva de aprendizagem e transformação do cuidado. Como produto técnico-tecnológico, foi desenvolvido um guia metodológico de caráter didático, voltado à implementação de práticas de Educação Permanente em Saúde no cotidiano das equipes, buscando fortalecer espaços coletivos de reflexão e qualificar o processo de trabalho. As considerações finais evidenciam a necessidade de fortalecimento do apoio institucional, da gestão do trabalho e de estratégias institucionais que viabilizem a inserção da EPS no cotidiano dos serviços, garantindo condições concretas para sua realização, como a criação de espaços coletivos de reflexão, a valorização do tempo destinado às atividades formativas, o reconhecimento do protagonismo dos trabalhadores e a articulação entre gestão, atenção e formação. Este Trabalho de Conclusão de Mestrado é fruto do Programa de Pós-graduação stricto sensu Mestrado Profissional em Saúde da Família (PROFSAÚDE).