Desejo e liberdade em Espinosa
passividade; afecções; imaginação; corpo; inadequação
O presente trabalho pretende investigar o desejo assim como este é definido por Baruch Espinosa na Ética, qual seja, desejo como o apetite enquanto dele se tem consciência, assim como também enquanto conatus, força para perseverar no próprio ser. Para chegar ao cerne da pesquisa, buscou-se antes compreender o que leva os seres humanos à passividade e a servidão, percurso que julgamos necessário, uma vez que o desejo não é um conceito isolado, e pode ser compreendido mais claramente quando estudado em conjunto com o emaranhado dos afetos de que o ser humano é capaz. Para tanto, analisamos conceitos que surgem em diferentes momentos da produção espinosana, como é o caso do conceito de imaginação. Assim também corpo, indivíduo, afecção, memória e inadequação foram tratados como objetos de estudo nesta pesquisa. Há uma tensão eminente entre potência e impotência, como se o ser humano tivesse que fazer um grande esforço para compreender a si mesmo aos outros e ao mundo; o conhecimento, portanto, não é dado de imediato. Partimos do pressuposto de que os seres humanos são propensos à passividade pois o corpo humano e a mente humana não apreendem a cadeia causal que os leva a agir, uma vez que são determinados pelo que os encontros fortuitos geram no corpo e na mente e não por sua própria potência de agir. Dessa maneira, somos levados não à ação, mas para a inadequação. Sendo assim o problema da passividade é abordado em nosso trabalho tanto a partir da ontologia quanto da epistemologia desenvolvida por Espinosa na Ética, para que seja possível, em breve chegar às conclusões do problema. Em outras palavras, buscamos compreender por que em geral somos passivos, quais causas nos levam para o caminho da inadequação, para que possamos traçar possibilidades de entender a atividade de um desejo que nasça da potência e não da servidão