PERCEPÇÃO, ONTOLOGIA E PINTURA EM MERLEAU-PONTY
percepção; corpo próprio; ontologia; pintura; expressão
A presente dissertação investiga a relação entre arte, percepção e ontologia no pensamento de Maurice Merleau-Ponty. O estudo avalia de que maneira a experiência artística, especialmente a pintura, constitui um modo privilegiado de acesso ao Ser, no qual percepção e criação se articulam para evidenciar uma ontologia irredutível ao pensamento objetivante. A pesquisa se insere no campo da fenomenologia francesa e adota uma abordagem bibliográfica de caráter qualitativo, orientada pelo método fenomenológico, tomando como fontes primárias as obras Fenomenologia da Percepção, O Olho e o Espírito e A Dúvida de Cézanne. O primeiro eixo da investigação reconstrói a crítica merleau-pontyana ao pensamento objetivante e a consequente reabilitação do corpo próprio como instância originária do sentido. O trabalho evidencia que a percepção não se reduz ao registro passivo de dados sensoriais ou à inspeção intelectual, mas constitui uma atividade generativa que mobiliza o sujeito em sua totalidade encarnada, de modo que o sentido emerge do engajamento carnal com o mundo. O segundo eixo examina a pintura como o campo de prova da ontologia do sensível, onde o corpo, como entrelaçado de visão e movimento, revela a estrutura quiasmática do Ser. Esta etapa abrange a crítica à racionalidade técnica, a ontologia da carne, a interrogação estésica e a relação entre visível e invisível. O terceiro eixo analisa o conceito de expressão, demonstrando que a criação artística participa da gênese do visível no próprio ato de pintar, sem se reduzir à mimese ou à representação de uma realidade preexistente. O estudo conclui que a relação entre arte e ontologia define o horizonte a partir do qual a própria filosofia merleau-pontyana se estabelece como interrogação encarnada do Ser.