Indicações de escetamina em idosos com doenças oncológicas avançadas sob cuidados paliativos
Cuidados paliativos; Escetamina; Depressão; Idosos; Neoplasias; Dor.
Introdução: O manejo do sofrimento multidimensional em idosos com câncer avançado permanece um desafio central nos cuidados paliativos. A alta prevalência de sintomas depressivos e dor crônica, associada ao início tardio dos antidepressivos convencionais, sustenta a investigação de terapias de ação rápida, como a escetamina. Objetivo: Estimar a proporção de idosos com câncer avançado em cuidados paliativos ambulatoriais que preenchiam critérios regulatórios e ampliados de elegibilidade à escetamina. Métodos: Estudo observacional transversal com 47 participantes ≥60 anos acompanhados em ambulatório universitário em Maceió, Brasil (dezembro de 2024 a agosto de 2025). Dados clínicos e sociodemográficos foram coletados por instrumento estruturado, e escalas validadas avaliaram sintomas depressivos, carga sintomática, dor, funcionalidade, prognóstico e adesão. A elegibilidade regulatória incluiu depressão resistente e/ou ideação suicida aguda, enquanto a ampliada considerou também sintomas depressivos clinicamente significativos, dor refratária, intolerância a opioides ou barreiras socioeconômicas. Realizaram-se análises bivariadas para associações preliminares e regressão logística multivariada para preditores independentes. Resultados: A elegibilidade regulatória foi observada em 25,5% dos participantes, aumentando para 48,9% sob critérios ampliados; 40,4% apresentaram sintomas depressivos moderados a graves. Uso prévio de antidepressivos (OR=27,30; IC95% 1,90–393,28; p=0,015) e maior gravidade depressiva (OR=1,17; IC95% 1,05–1,30; p=0,004) foram preditores independentes de elegibilidade regulatória, enquanto apenas a gravidade depressiva permaneceu associada à elegibilidade ampliada (OR=1,54; IC95% 1,24–2,25; p=0,003). Conclusão: Uma proporção expressiva de idosos apresentou perfil clínico potencialmente elegível à escetamina, tendo a gravidade dos sintomas depressivos como principal determinante. Esses achados sugerem que critérios regulatórios isolados podem não captar plenamente a complexidade clínica e o sofrimento global na oncogeriatria paliativa, sendo necessários estudos prospectivos para avaliar o papel de intervenções de ação rápida em populações com limitada sobrevida.