ANÁLISE DA METABOLÔMICA EM PACIENTES PORTADORES DE CÂNCER COLORRETAL
Câncer colorretal, Metabolômica, Pacientes.
Segue o resumo correto da dissertação : Contexto: O câncer colorretal (CCR) é a terceira neoplasia mais incidente e a segunda causa de
morte por câncer no mundo, e o diagnóstico precoce é determinante do prognóstico. A metabolômica
pode oferecer abordagem não invasiva para a identificação de biomarcadores, mas há escassez de
dados em população brasileira e em pacientes que já concluíram o tratamento oncológico.
Objetivo: Comparar o perfil de metabólitos fecais de pacientes com CCR não tratados, de pacientes
que concluíram o tratamento e de indivíduos sem CCR.
Métodos: Estudo transversal, observacional e analítico. Pacientes com CCR confirmado por
histopatologia foram recrutados em ambulatório de coloproctologia de hospital universitário
público; o grupo comparador foi composto por indivíduos assintomáticos submetidos a
colonoscopia de rastreamento sem neoplasia colorretal maligna. Os extratos fecais foram analisados
por espectroscopia de ressonância magnética nuclear de hidrogênio a 400 MHz. Os espectros foram
processados em R com o pacote PepsNMR e analisados por análise de componentes principais,
análise discriminante por mínimos quadrados parciais ortogonais (OPLS-DA) com teste de
permutação e escores de importância das variáveis na projeção (VIP). Os sinais atribuídos à mesma
molécula foram somados, resultando em painel de 17 metabólitos; para cada um, a área sob a curva
ROC e o valor de p do teste de Mann-Whitney foram calculados a partir do mesmo vetor, e os
valores de p foram corrigidos pelo método de Benjamini-Hochberg. Todas as atribuições
metabólicas foram putativas (nível 2 da Metabolomics Standards Initiative).
Resultados: Foram analisados 47 participantes: comparadores sem CCR (n=15), CCR não tratado
(n=16) e CCR pós-tratamento (n=16). A OPLS-DA discriminou comparadores de pacientes não
tratados (Q²=0,574; p<0,001) e de pacientes pós-tratamento (Q²=0,452; p=0,002). O modelo que
contrastou os dois grupos de pacientes não apresentou capacidade preditiva (Q²=−0,037; p=0,176)
e é apresentado apenas como exploratório. Oito metabólitos distinguiram comparadores de pacientes
não tratados após correção, com áreas sob a curva entre 0,787 e 0,867: isoleucina/valerato,
metilguanidina, glicolato, glutamato, metanol, lactato, isoleucina e fenilalanina, todos elevados no
grupo não tratado. O acetato mostrou-se reduzido nos não tratados, sem significância após correção
(q=0,071). Nos pacientes pós-tratamento, glicolato, lactato, ácido fórmico e glutamato
permaneceram elevados em relação aos comparadores (q=0,018), enquanto isoleucina e fenilalanina
deixaram de diferir.
Conclusão: O CCR associou-se a perfil metabólico fecal distinto, marcado por acúmulo de
aminoácidos livres e de outros produtos da proteólise microbiana. Após o tratamento esse acúmulo
resolveu-se apenas em parte, enquanto o lactato e outros ácidos orgânicos permaneceram elevados,
padrão compatível com recuperação incompleta do consórcio microbiano que os consome. Dado o
tamanho amostral e a natureza putativa das atribuições, os achados são geradores de hipótese.
Palavras-chave: Neoplasias Colorretais; Biomarcadores Tumorais; Metabolômica; Espectroscopia
de Ressonância Magnética; Fezes; Microbioma Gastrointestinal.