FORMAÇÃO CONTINUADA DOCENTE E EDUCAÇÃO QUILOMBOLA NO SERTÃO ALAGOANO
Formação Docente; Educação Quilombola; Comunidade Quilombola Gameleiro.
A presente pesquisa de mestrado versa acerca da formação docente e da modalidade de educação quilombola, partindo da seguinte problemática: de que modo a formação continuada de professores pode contribuir para a construção da educação quilombola focada no atendimento aos anseios, aos valores e às tradições próprias dos remanescentes? Neste viés, este estudo objetivou promover formação continuada por meio de oficinas pedagógicas embasadas na coleção “A Cor da Cultura”, a fim de gerar espaço de debates antirracistas, construção de saberes quilombolas e enfrentamento do racismo na Unidade de Ensino Infantil Maria Vieira de Oliveira, localizada na comunidade quilombola Gameleiro, zona rural do município de Olho d’Água das Flores/AL. Como metodologia, adotou-se a abordagem qualititativa, do tipo colaborativa, utilizando como procedimentos de coleta de dados para melhor comprender a realidade escolar: entrevistas, diário de campo e narrativas dos professores mediante grupo focal. Para análise de dados, optou-se pela metodologia de análise de conteúdo, organizando-se em três polos cronológicos: a pré-análise (leitura flutuante), a exploração do material (codificação) e o tratamento dos resultados (interpretação) que passarão por uma triangulação de dados que respeita a polifonia dos participantes, fortalecendo a validade dos achados. Contudo, considerando como breves resultados, pode-se pontuar que a referida unidade de ensino oferece um ambiente acolhedor, lúdico e inclusivo, no entanto, há carência de formação continuada docente voltada às determinações da Lei 10.639/2003 e às diretrizes da Educação Quilombola, assim como falta ações antirracistas efetivas durante todo ano letivo, uma vez que ocorrem apenas de maneira pontual; poucas referências teóricas e práticas nos documentos normativos escolares (2025) que possam dialogar abertamente com as demandas da Educação Quilombola na atualidade, em prol da valorização da diversidade afro-brasileira e dos saberes da comunidade quilombola Gameleiro; há poucos materiais pedagógicos antirracistas para melhor atender as exigências legais, respeitando as tradições dos educandos, como sujeitos de direito.