CONHECIMENTO, ATITUDES E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DOS PROFESSORES DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO BÁSICA SOBRE HIV/AIDS E OUTRAS INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS NO SERTÃO ALAGOANO
Formação docente; Educação em saúde; HIV/AIDS; Infecções sexualmente transmissíveis; Práticas pedagógicas.
A abordagem do HIV/Aids e de outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) na escola constitui uma dimensão relevante da Educação em Saúde, cuja efetividade envolve a formação docente e as condições de desenvolvimento das práticas pedagógicas. Sob essa perspectiva, este estudo objetivou avaliar os conhecimentos, as atitudes e as práticas pedagógicas dos professores de Ciências e Biologia acerca do HIV/Aids e outras IST na Educação Básica de Santana do Ipanema, sertão de Alagoas. Trata-se de uma pesquisa com abordagem quantitativa, de caráter exploratório e descritivo, e de delineamento observacional e transversal. Participaram 27 docentes das redes municipal, estadual, federal e privada, correspondendo a 90% da população elegível (n = 30). Os dados foram coletados entre junho e julho de 2026, mediante questionário online semiestruturado composto por 37 questões, e analisados por estatística descritiva. Os resultados demonstraram que, embora 70,4% dos participantes tenham estudado conteúdos relacionados às IST e ao HIV/Aids durante a graduação, 40,7% consideraram que a formação inicial não os preparou adequadamente para abordar o assunto em sala de aula. Todos reconheceram a importância da abordagem transversal; entretanto, 44,4% relataram atividades interdisciplinares pouco frequentes e 29,6% afirmaram que elas nunca ocorreram. As aulas expositivas foram utilizadas por 96,3% dos docentes, e 88,8% dedicam, no máximo, cinco horas-aula anuais à temática. Nenhum participante relatou oferta de capacitação específica pela escola, 81,5% nunca haviam realizado formação complementar sobre o tema e 33,3% declararam insegurança para trabalhá-lo. Além disso, 74,1% perceberam fatores religiosos e preconceitos sociais como obstáculos à aprendizagem. Tomados em conjunto, os achados indicam uma distância entre o reconhecimento da relevância do tema e sua inserção contínua e interdisciplinar no cotidiano escolar. Evidencia-se a necessidade de fortalecer a formação continuada, o apoio institucional e a articulação entre educação e saúde, favorecendo práticas contextualizadas e dialógicas que integrem prevenção, autocuidado e enfrentamento do estigma e da discriminação.