Transformação digital e inovação pedagógica nos núcleos de inovação para educação híbrida no brasil: uma cartografia das práticas e sentidos emergentes
Transformação digital, educação híbrida, inovação pedagógica.
A transformação digital consolidou-se como uma das principais agendas estruturantes das políticas públicas contemporâneas, alcançando o campo educacional brasileiro em meio a profundas desigualdades regionais, infraestruturais e formativas. No entanto, a recorrência do termo no debate público não tem sido acompanhada por análises sistemáticas acerca de sua materialização concreta nas redes públicas de ensino. Nesse contexto, destaca-se a Rede de Inovação para a Educação Híbrida (RIEH), vinculada à Política Nacional de Educação Digital (Lei nº 14.533/2023), que propõe a constituição de Núcleos de Inovação como instâncias territoriais de articulação entre tecnologia, formação docente e reorganização pedagógica. Esta tese tem como objetivo analisar como os processos de transformação digital e inovação pedagógica são desenvolvidos, articulados e ressignificados nos Núcleos de Inovação para Educação Híbrida no Brasil, identificando práticas, tensões e potencialidades no contexto das políticas públicas de educação digital. A pesquisa fundamenta-se na compreensão da transformação digital como fenômeno sociotécnico relacional, que ultrapassa a digitalização instrumental de práticas e implica reconfiguração institucional, curricular e formativa. Metodologicamente, adota abordagem qualitativa orientada pela cartografia, conforme sistematizada por Passos, Kastrup e Escóssia (2015), ancorada na filosofia de Deleuze e Guattari. A cartografia permite acompanhar processos em movimento, examinando conexões entre territórios institucionais, políticos e pedagógicos da RIEH. O percurso investigativo inclui análise documental de marcos normativos e registros institucionais, além de análise exploratória de dados secundários disponibilizados pelo Observatório da RIEH. Os resultados preliminares indicam expansão quantitativa significativa da política, com mais de 144 mil estudantes alcançados, mais de 1.100 escolas participantes e mais de 50 Núcleos de Inovação instalados em diferentes unidades federativas. Observa-se consolidação de infraestrutura tecnológica, com elevada taxa de entrega de equipamentos e oferta de conteúdos digitais estruturados em ambiente virtual de aprendizagem. Indicadores de uso apontam volume expressivo de acessos e taxa de conclusão de cursos superior a 80%, sugerindo engajamento relevante nas ações formativas. Contudo, a análise inicial também evidencia que a presença de infraestrutura e de plataformas não assegura, por si só, reconfiguração pedagógica substantiva. A consolidação da transformação digital depende da integração entre formação docente, cultura institucional e intencionalidade curricular, dimensões que se apresentam de forma desigual entre as redes participantes. Conclui-se, preliminarmente, que a RIEH constitui dispositivo estratégico de implementação da agenda digital no país, operando como território de mediação entre diretrizes nacionais e práticas locais. Entretanto, sua efetividade enquanto promotora de transformação pedagógica está condicionada às condições institucionais, federativas e formativas que sustentam sua operacionalização.