A PARTICIPAÇÃO DOS ESTUDANTES NAS ATIVIDADES ESPORTIVAS: o TGFU (teaching games for understanding) como estratégia de ensino das aulas de Educação Física
TGFU; Educação Física; Engajamento; Esporte Educacional
A Educação Física é componente curricular obrigatório segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996 art. 26 § 3º), que estabelece que a disciplina deve estar integrada à proposta pedagógica da escola, respeitando as especificidades etárias e contextuais dos estudantes. Além disso, a Constituição Federal de 1988, no artigo 217, estabelece a atividade física e o esporte como direito de todos. Nesse contexto, enquanto a Constituição Federal e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) asseguram a obrigatoriedade da Educação Física como componente curricular obrigatório, a BNCC aponta ainda como o componente deve contribuir para o desenvolvimento integral dos estudantes. A BNCC é um documento normativo de caráter nacional que guia a construção dos currículos das redes de ensino, definindo as aprendizagens essenciais que todos os estudantes devem desenvolver ao longo da educação básica no Brasil. Estabelecida em 2018 para o Ensino Médio, ela estabelece os direitos de aprendizagens e desenvolvimento dos estudantes, apontando competências e habilidades que devem ser garantidas aos estudantes durante a educação básica, visando assegurar uma formação comum aos estudantes, levando-se em consideração, inclusive, a diversidade cultural e regional do país. No tocante à Educação Física, a BNCC a incorpora na área de linguagens e suas tecnologias, confirmando que esse componente curricular contribui para a compreensão crítica das práticas corporais de diferentes grupos culturais e não apenas para o desenvolvimento motor. Ademais, enaltece sua relevância para o despertar da curiosidade intelectual, da pesquisa e da capacidade de argumentação, ampliando o papel do componente curricular na formação integral dos estudantes (BRASIL, 2018). A Educação Física escolar vai muito além de brincadeira, esportes e exercício físico. Segundo Bego e Dos Anjos (2020), além do desenvolvimento motor, as aulas também devem ser utilizadas para desenvolver aspectos cognitivos, afetivo-social, ético e educacionais. Entretanto, apesar de sua importância, alguns estudantes se fazem presente apenas fisicamente durante as aulas, mas preferem ficar sentado na arquibancada, ou em algum outro espaço que possa se acomodar. Essa realidade compromete tanto o desenrolar do processo de ensino e aprendizagem, como o êxito no que diz respeito aos objetivos pedagógicos referentes ao componente curricular. Esse contexto se faz presente na escola em que foi realizado o estudo: Nas aulas de Educação Física de uma escola pública estadual, em Lajedo-PE, mesmo sem possuir restrição médica que impossibilite a participação, constantemente, uma parcela dos estudantes deixa de participar das atividades propostas, optam por ficar sentados nas arquibancadas, independente do conteúdo trabalhado. Entre os motivos mais relatados estão a preguiça, o desinteresse pelo conteúdo, a aversão ao esforço físico (eles não querem suar), a percepção que a atividade não “valerá pontos”, além de desmotivação e falta do sentimento de pertencimento ao grupo. Essa situação desperta a necessidade de buscar opções através de estratégias metodológicas que promovam maior engajamento e participação durante as aulas: - o que pode ser feito para que as aulas de Educação Física sejam mais significativas e atrativas para o estudante, afim de diminuir a evasão nas aulas de Educação Física? Nesse sentido, apresenta-se o modelo Teaching Games For Understanding (TGFU) desenvolvido por Bunker e Thorpe (1982) como alternativa pedagógica que enfatiza a compreensão tática, a tomada de decisão, e a participação ativa dos estudantes, através de situações de jogo. Ademais, compreender o comportamento e as posturas dos estudantes nas aulas de Educação Física requer interpretar os significados que os próprios atribuem ao componente curricular. Para isso, a análise fundamentada nas representações sociais ofereceu subsídios para compreender como as percepções, experiências e valores influenciam as atitudes dos estudantes referentes às práticas corporais e ao esporte educacional. Desse modo, a presente pesquisa justificou-se pela relevância de investigar estratégias pedagógicas que possam contribuir com o aumento ddo engajamento dos estudantes nas aulas de Educação Física, relacionando o uso do modelo TGFU à compreensão das representações sociais dos discentes. Buscou-se, assim, compreender em que medida essa abordagem pode favorecer a motivação e participação nas aulas do componente. Como resultado, esta pesquisa reforça que a permanência dos estudantes nas atividades esportivas das aulas de Educação Física não deve ser entendida como uma responsabilidade exclusiva do estudante, e sim como frutos das experiências pedagógicas vivenciadas no ambiente escolar. Ao demonstrar que uma intervenção norteada pelo modelo TGFU favoreceu a ressignificação das representações sociais dos estudantes no que diz respeito à participação nas aulas, esse estudo reafirma a importância de que as práticas pedagógicas valorizem a inclusão, a cooperação, a aprendizagem e o protagonismo dos estudantes, contribuindo assim para o fortalecimento de uma Educação Física escolar comprometida com a permanência, a participação e a aprendizagem de todos os estudantes.