Banca de DEFESA: RAYANE FERREIRA DA SILVA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : RAYANE FERREIRA DA SILVA
DATA : 24/10/2022
HORA: 08:30
LOCAL: Universidade Federal de Alagoas
TÍTULO:

EPIDEMIOLOGIA DESCRITIVA E IMPLICAÇÕES DO GENE IRF6 EM UMA SÉRIE DE CASOS DE FENDAS OROFACIAIS TÍPICAS


PALAVRAS-CHAVES:

Fissura de lábio, Fissura de lábio e palato, Fissura de palato, Síndrome de Van der Woude, gene IRF6.


PÁGINAS: 90
RESUMO:

Introdução: As fendas orofaciais típicas (FOT) estão entre as malformações humanas mais frequentes, com prevalência de 1:700 a 1000 nascidos vivos. Variantes no gene IRF6 (fator regulatório de interferon 6) têm sido mundialmente implicadas tanto em casos não sindrômicos (FOTNS) familiais quanto sindrômicos (FOTS), entre os quais destaca-se a Síndrome de Van der Woude (SVW). Objetivo: Este estudo teve como objetivo descrever o perfil epidemiológico e as implicações do gene IRF6 nas FOTNS e SVW em uma série de casos oriundos do ambulatório de genética craniofacial do Serviço de Genética Clínica do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes da Universidade Federal de Alagoas (SGC/HUPAA-UFAL). Pacientes e métodos: A amostra para a descrição das características sociodemográficas, clínicas e familiais consistiu em 255 pacientes com FOTNS atendidos no período 2009-2021. As variáveis de interesse foram extraídas da Base Brasileira de Anomalias Craniofaciais. Os dados foram tabulados em planilha Excel e analisados utilizando o programa Epi infoTM. Foram empregados testes de Fisher e Qui-quadrado, sendo considerados significativos os resultados com p<0,05. Para a caracterização molecular, foram selecionadas 27 famílias com recorrência de FOTNS e um paciente com SVW, único da casuística com este diagnóstico. Seis das 27 famílias apresentaram transmissão genitor(a)-filho(a) e foram estudadas por sequenciamento completo do exoma em parceria com a Universidade Estadual de Campinas. As demais famílias e o caso de SVW foram estudados por sequenciamento de Sanger do IRF6 no Laboratório de Genética Molecular Humana (LGMH) do SGC/HUPAA-UFAL. Neste, os experimentos compreenderam a extração de DNA a partir de sangue total periférico pelo método fenol-clorofórmio, reação em cadeia da polimerase dos exons e suas respectivas regiões doadoras e aceptoras de splice do IRF6, purificação dos fragmentos obtidos, quantificação e reação de sequenciamento, seguida de eletroforese capilar no analisador de DNA ABI 3500. Para a análise dos resultados, foram utilizados os softwares Chromas para análise dos eletroferogramas e CLC Sequence Viewer para alinhamento com a sequência selvagem (ENST00000367021.8). As variantes identificadas foram pesquisadas em bancos de dados de acesso público. Para variantes não descritas a classificação foi realizada através de análise preditiva in silico utilizando os programas PROVEAN, SIFT, PolyPhen-2, Mutation Taster, Align GVGD e MutPred-2; análise de conservação de aminoácidos entre espécies (programa Clustal Omega); e modelagem da proteína pelos programas Swiss-model e PyMol. Resultados: Entre 2009-2021, 375 pacientes com fendas orofaciais foram atendidos no ambulatório de genética craniofacial, destes 255 (71,6%) apresentavam FOTNS. Nesta amostra houve predomínio de fenda do lábio e palato (51,0%) com acometimento unilateral (74,2%) esquerdo (51,0%) sendo que o sexo biológico masculino foi o mais afetado (55,8%), dados que corroboram a literatura. Os casos familiais corresponderam a 38,7% da amostra, quase o dobro do esperado. As fendas de lábio com ou sem acometimento do palato (p=0,14), a consanguinidade parental (p=0,02) e a gemelaridade (p=0,008) foram significativamente mais frequentes nos casos familiais comparados aos esporádicos. A análise das seis famílias com transmissão genitor(a)-filho(a) está completa e não revelou nenhuma variante patogênica no gene IRF6. Das 21 famílias restantes, em 17 delas a análise não está concluída, mas até o momento também não revelou variantes patogênicas nas regiões sequenciadas. A criança com SVW teve diagnóstico clínico estabelecido com base na presença de elevações paramedianas no lábio inferior associadas à fenda labiopalatina, típicas da síndrome. Para esta paciente o sequenciamento de Sanger do IRF6 revelou a variante nova p.Phe266Ser em heterozigose (TTT/TCT). Esta variante foi classificada como patogênica em todos os programas de predição utilizados, a comparação entre espécies indicou que o aminoácido p.Phe266 é altamente conservado na proteína IRF6, o sequenciamento dos genitores revelou que esta alteração não foi herdada, sendo portanto classificada como alteração de novo. A análise de modelagem foi sugestiva de que a substituição da fenilalanina pela serina causa danos à estrutura da proteína. Conclusões: Os resultados evidenciaram características sociodemográficas e clínicas das FOTNS semelhantes à literatura, exceto pela alta frequência de casos familiais e consanguinidade parental. Até o momento não foi observada nenhuma variante patogênica do IRF6 nos casos familiais de FOTNS incluindo os casos de transmissão genitor(a)-filho(a). A variante nova p.Phe266Ser, presente no único caso de SVW desta casuística, foi classificada como patogênica e de novo.

 


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 3221982 - ISABELLA LOPES MONLLEO
Interna - 2269479 - CAROLINNE DE SALES MARQUES
Externa ao Programa - 3140606 - THALITA CRISTINA FIGUEIREDO CUNHA
Notícia cadastrada em: 10/10/2022 15:26
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