Banca de QUALIFICAÇÃO: TAMARA RODRIGUES DOS SANTOS

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : TAMARA RODRIGUES DOS SANTOS
DATA : 30/11/2022
HORA: 14:00
LOCAL: Virtual
TÍTULO:

Vulnerabilidade social e condições de nutrição e saúde de mulheres e crianças: diferenciais entre a população quilombola e a população geral do estado de Alagoas


PALAVRAS-CHAVES:

Grupo com Ancestrais do Continente Africano. Disparidade em Saúde, Minorias e Populações Vulneráveis. Determinantes Sociais da Saúde. Doenças não Transmissíveis. 


PÁGINAS: 120
RESUMO:

Nas últimas décadas têm sido observadas expressivas mudanças nos perfis de nutrição e saúde, tanto no brasil como em escala global. Na população adulta, tem ocorrido incrementos na prevalência de obesidade e de doenças crônicas não transmissíveis, a exemplo da hipertensão arterial. Entre as crianças, especialmente as que vivem em contextos de maior vulnerabilidade social, embora a ascensão do excesso de peso seja uma realidade, outras formas de má nutrição, como a desnutrição crônica e a anemia ainda não foram superadas. O adequado enfretamento desses problemas, seja no público adulto ou infantil, requer a identificação da magnitude e dos fatores associados a essas condições em diferentes cenários. Nesse sentido, atenção especial deve ser dada às minorias étnico-raciais, haja vista as intensas desigualdades socioeconômicas às quais estão submetidas. Dentre essas minorias, encontra-se a população quilombola que, em decorrência da opressão histórica sofrida, vive em situação particularmente pronunciada de vulnerabilidade. Visando contribuir com essa problemática, a presente tese foi desenvolvida com o objetivo de comparar as condições de nutrição e saúde entre mulheres e crianças quilombolas e não quilombolas do estado de Alagoas. Para atender ao objetivo proposto, o capítulo de resultados encontra-se apresentado sob a forma de dois artigos originais. Ambos foram baseados em dois inquéritos domiciliares independentes e de base populacional realizados no estado de Alagoas em 2015 e 2018, envolvendo, respectivamente, mulheres e crianças menores de 5 anos não quilombolas e quilombolas. O primeiro artigo, intitulado “Condições de nutrição e saúde de mulheres: diferenciais entre mulheres quilombolas e não quilombolas do estado de Alagoas, Brasil”, comparou as prevalências e os fatores associados ao excesso de peso e à hipertensão nos dois cenários. Foram avaliadas 4.981 mulheres, sendo 3.155 não quilombolas e 1.826 quilombolas. As prevalências de excesso de peso (66,4% vs. 62,4%, p=0,006) e hipertensão (28,8% vs. 22,0% p<0,001) foram superiores nas mulheres quilombolas em comparação às não quilombolas. Entre as mulheres quilombolas, os fatores associados ao excesso de peso foram: idade > 30 anos, presença de insegurança alimentar e nutricional, menarca antes dos 12 anos, ter filhos e ter hipertensão. Enquanto entre as não quilombolas, além da idade > 30 anos, menarca antes dos 12 anos, ter filhos e ter hipertensão; a escolaridade ≤ 8 anos e o consumo de bebida alcoólica também foram associados ao excesso de peso. Quanto à hipertensão, os fatores associados entre as mulheres quilombolas foram: idade > 30 anos, escolaridade < 8 anos, estar desempregada, pertencer a família beneficiária do Programa Bolsa Família, menarca antes dos 12 anos e o excesso de peso. Entre as mulheres não quilombolas, além da idade > 30 anos, da escolaridade ≤ 8 anos e do excesso de peso; ter apresentado problema de saúde nos últimos 30 dias também esteve associado à hipertensão. O segundo artigo, intitulado “Determinantes Sociais em Saúde: Diferenciais no estado nutricional de crianças do estado de Alagoas (Brasil), segundo sua condição de quilombolas ou não quilombolas”, objetivou comparar o estado nutricional e os fatores associados ao déficit estatural, excesso de peso e à anemia entre crianças quilombolas e não quilombolas do estado de Alagoas. Para isso, envolveu uma amostra de 1.546 crianças menores de 5 anos, sendo 991 não quilombolas e 555 quilombolas. As prevalências de déficit estatural (6,5% vs. 3,5%, p=0,008) e anemia (38,3% vs. 27,4% p<0,001) foram superiores nas crianças quilombolas em comparação às não quilombolas. O inverso foi observado na prevalência de excesso de peso: 9,6% quilombolas vs. 14,1% não quilombolas (p=0,009). Entre as crianças quilombolas, os fatores associados ao déficit estatural foram: índice de riqueza (< mediana), pertencer a família em situação de insegurança alimentar e nutricional grave, número de cômodos no domicílio (<4) e excesso de peso materno. Já entre as não quilombolas foram: idade ≤ 24 meses, sexo masculino e baixo peso ao nascer. Presença de insegurança alimentar e nutricional moderada, idade ≤ 24 meses e o elevado peso ao nascer foram os fatores associados ao excesso de peso entre as crianças quilombolas. Entre as não quilombolas, o excesso de peso foi associado à idade materna (< 20 anos), excesso de peso materno e o elevado peso ao nascer. Quanto à anemia, os fatores associados entre as crianças quilombolas foram: número de pessoas no domicílio (≥ 4), idade materna (<20 anos), estatura materna (> mediana), idade ≤ 24 meses e sexo masculino. Entre as não quilombolas foram: escolaridade materna (≤ 8 anos) e idade ≤ 24 meses. Conclui-se que, em consonância com os pressupostos da determinação social no processo de saúde e doença, as desvantagens socioeconômicas as quais as mulheres e crianças quilombolas encontram-se historicamente submetidas reverberam nos dias atuais, como observado pela presença de um pior perfil de nutrição e saúde. Espera-se que esses resultados sejam utilizados para nortear políticas públicas dirigidas ao enfrentamento dessas condições, as quais devem considerar que, no estado com os piores indicadores socioeconômicos do país, mulheres e crianças quilombolas (sobre)vivem em um cenário ainda mais vulnerável. 


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1120877 - HAROLDO DA SILVA FERREIRA
Externo(a) ao Programa - 1325040 - MYRTIS KATILLE DE ASSUNCAO BEZERRA
Externo(a) ao Programa - 1493347 - THATIANA REGINA FAVARO
Externo(a) à Instituição - REGINA COELI DA SILVA VIEIRA - UFAM
Notícia cadastrada em: 11/11/2022 16:11
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