Banca de DEFESA: TAMARA RODRIGUES DOS SANTOS

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : TAMARA RODRIGUES DOS SANTOS
DATA : 22/12/2022
HORA: 14:00
LOCAL: Virtual
TÍTULO:

Vulnerabilidade social e condições de nutrição e saúde de mulheres e crianças: diferenciais entre a população quilombola e a população geral do estado de Alagoas


PALAVRAS-CHAVES:

Grupo com Ancestrais do Continente Africano. Disparidade em Saúde, Minorias e Populações Vulneráveis. Determinantes Sociais da Saúde. Doenças não Transmissíveis. 


PÁGINAS: 155
RESUMO:

Nas últimas décadas têm sido observadas expressivas mudanças nos perfis de nutrição e saúde, tanto no Brasil como em escala global. Na população adulta, tem ocorrido incrementos na prevalência de obesidade e de doenças crônicas não transmissíveis, a exemplo da hipertensão arterial sistêmica (HAS). Entre as crianças, especialmente as que vivem em contextos de maior vulnerabilidade social, embora a ascensão do excesso de peso seja uma realidade, outras formas de má nutrição, como a desnutrição crônica e a anemia ainda não foram superadas. O adequado enfretamento desses problemas, seja no público adulto ou infantil, requer a identificação da magnitude e dos fatores associados a essas condições em diferentes cenários. Nesse sentido, atenção especial deve ser dada às minorias étnico-raciais, haja vista as intensas desigualdades socioeconômicas às quais estão submetidas. Dentre essas minorias, encontra-se a população quilombola que, em decorrência da opressão histórica sofrida, vive em situação particularmente pronunciada de vulnerabilidade. Visando contribuir com essa problemática, a presente tese foi desenvolvida com o objetivo de comparar as condições de nutrição e saúde entre mulheres e crianças quilombolas e não quilombolas do estado de Alagoas. Para atender ao objetivo proposto, o capítulo de resultados encontra-se apresentado sob a forma de dois artigos originais. Ambos foram baseados em dois inquéritos domiciliares independentes e de base populacional realizados no estado de Alagoas em 2015 e 2018, envolvendo, respectivamente, mulheres e crianças menores de 5 anos não quilombolas e quilombolas. O primeiro artigo, intitulado “Nutrição e saúde de mulheres do estado de Alagoas (Brasil): Diferenciais segundo a condição de pertencer ou não à população quilombola”, comparou as prevalências e os fatores associados ao excesso de peso e à HAS nos dois cenários. Foram avaliadas 4.627 mulheres, sendo 1.474 quilombolas e 3.153 não quilombolas. As prevalências de excesso de peso (66,8% vs. 62,4%; p=0,005) foi superior nas mulheres quilombolas. Não houve diferença na prevalência de HAS entre os grupos (23,1% vs. 22,1%; p=447). Os fatores associados ao excesso de peso nas mulheres quilombolas foram: idade > 30 anos, presença de insegurança alimentar e nutricional (INSAN) grave, menarca antes dos 12 anos, ter filhos e a apresentar HAS. Já entre as não quilombolas, além da idade >30 anos, da menarca antes dos 12 anos, ter filhos e apresentar HAS; a escolaridade ≤8 anos e o consumo de bebida alcoólica também foram condições associadas ao excesso de peso. Quanto à HAS, os fatores associados entre as quilombolas foram: idade > 30 anos, escolaridade ≤ 8 anos, menarca antes dos 12 anos e o excesso de peso corporal. Entre as mulheres não quilombolas, além da idade > 30 anos, escolaridade ≤ 8 anos e excesso de peso, a presença de INSAN grave e ter apresentado problema de saúde nos últimos 30 dias também foram associados à HAS. O segundo artigo, intitulado “Determinantes Sociais em Saúde: Diferenciais no estado nutricional de crianças do estado de Alagoas (Brasil), segundo a condição de ser ou não quilombola”, objetivou comparar o estado nutricional e os fatores associados ao déficit estatural, excesso de peso e à anemia entre crianças quilombolas e não quilombolas do estado de Alagoas. Para isso, envolveu uma amostra de 1.546 crianças menores de 5 anos, sendo 555 quilombolas e 991 não quilombolas. As prevalências de déficit estatural (6,5% vs. 3,5%, p=0,008) e anemia (38,3% vs. 27,4% p<0,001) foram superiores nas crianças quilombolas em comparação às não quilombolas. O inverso foi observado na prevalência de excesso de peso: 9,6% vs. 14,1% (p=0,009), respectivamente. Entre as crianças quilombolas, os fatores associados ao déficit estatural foram: índice de riqueza inferior a mediana; baixa estatura materna e baixo peso ao nascer. Além do baixo peso ao nascer, entre as crianças não quilombolas os fatores associados ao excesso de peso foram: baixa estatura materna e idade ≤ 24 meses. Presença de INSAN moderada, idade ≤ 24 meses e o elevado peso ao nascer (EPN) foram os fatores associados ao excesso de peso entre as crianças quilombolas. Entre as não quilombolas, o excesso de peso foi associado ao aumento nos quartis de IMC materno e ao EPN. Quanto à anemia, os fatores associados entre as quilombolas foram: idade materna (<20 anos), idade ≤ 24 meses, sexo masculino e problema de saúde nos últimos 30 dias. Entre as não quilombolas, escolaridade materna (≤ 8 anos) e idade ≤ 24 meses foram os fatores associados à anemia. Conclui-se que, em consonância com os pressupostos da determinação social no processo de saúde e doença, as desvantagens socioeconômicas as quais as mulheres e crianças quilombolas encontram-se historicamente submetidas reverberam nos dias atuais, como observado pela presença de um pior perfil de nutrição e saúde. Espera-se que esses resultados sejam utilizados para nortear políticas públicas dirigidas ao enfrentamento dessas condições, as quais devem considerar que, no estado com os piores indicadores socioeconômicos do país, mulheres e crianças quilombolas (sobre)vivem em um cenário ainda mais vulnerável. 


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1120877 - HAROLDO DA SILVA FERREIRA
Externo(a) ao Programa - 1325040 - MYRTIS KATILLE DE ASSUNÇÃO BEZERRA
Externo(a) ao Programa - 1493347 - THATIANA REGINA FAVARO
Externo(a) à Instituição - MARLY AUGUSTO CARDOSO - USP
Externo(a) à Instituição - REGINA COELI DA SILVA VIEIRA - UFAM
Notícia cadastrada em: 16/12/2022 14:28
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