PPCM PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS MÉDICAS FACULDADE DE MEDICINA Telefone/Ramal: 99930-9057

Banca de DEFESA: THAYS DE SA TARGINO LIBERAL

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : THAYS DE SA TARGINO LIBERAL
DATA : 03/05/2022
HORA: 10:00
LOCAL: Google Meet
TÍTULO:

O itinerário percorrido pelos cuidadores de crianças e adolescentes com transtornos mentais na busca por tratamento especializado no estado de Alagoas


PALAVRAS-CHAVES:

Serviços comunitários de saúde mental; Criança; Adolescente; Transtornos mentais.


PÁGINAS: 35
RESUMO:

INTRODUÇÃO: Segundo as estimativas, cerca de 13% das crianças e adolescentes no Brasil são portadores de alguma psicopatia e que apenas 37,5 % destes recebam alguma intervenção terapêutica ao longo de 5 anos. A lacuna entre a prevalência e o acesso ao tratamento especializado demonstra que alguns fatores possam interferir na cobertura e na eficácia da atenção em saúde mental destinadas a esta população. As principais barreiras de acesso enfrentadas pelos familiares envolvem tanto fatores pessoais (situação financeira, abdicação de compromissos sociais e desgaste físico e emocional exigidos no cuidado) como fatores relativos às deficiências na rede assistencial tais como: desarticulação nos serviços, a falta de investimentos, de profissionais especializados e a procrastinação no diagnóstico. A sequência do itinerário tende a ser ajustada de acordo com as particularidades dos usuários e geralmente é precedida por atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e hospitais psiquiátricos, envolvendo uma diversidade de profissionais até a chegada ao Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil.  No que se refere a rede especializada, Alagoas conta apenas com uma unidade de CAPSi, referência no atendimento de crianças e adolescentes na faixa etária de 5 aos 18 anos, portadores de algum transtorno mental grave. OBJETIVO: Analisar o caminho percorrido pelos familiares ou cuidadores para tratamento em saúde mental de crianças e adolescentes atendidos em um CAPSi de Maceió; identificar as motivações para a busca de tratamento, procurando compreender as dificuldades e estratégias utilizadas neste processo e descrever os fatores relacionados ao abandono do tratamento. MATERIAIS E MÉTODOS: Trata-se de um estudo exploratório, descritivo e de abordagem qualitativa, alicerçado nos preceitos teóricos e metodológicos dos itinerários terapêuticos.  A amostra foi composta por 29 participantes, divididos com a seguinte organização: 20 responsáveis por crianças ou adolescentes com transtornos mentais em atendimento no CAPSi e 9 responsáveis que abandonaram o tratamento no período compreendido entre 2019 a 2020. A amostragem foi realizada por conveniência, levando em consideração o agendamento das consultas para os psiquiatras realizadas no CAPSi, durante os meses de maio e junho de 2021. No caso dos desistentes, foi realizada uma pesquisa no arquivo de prontuários inativos, de onde foram selecionados os 9 primeiros que se enquadraram no período descrito, e em que foi possível contato através do número telefônico informado. A coleta de dados foi realizada através de entrevista semiestruturada, composta por perguntas abertas elaboradas pelos pesquisadores. Os dados produzidos pelas entrevistas foram trabalhados na tipologia qualitativa, com o auxílio do software Atlas ti versão 9, seguindo a abordagem teórico-metodológica da Análise de Conteúdo Temática proposta por Minayo, em suas três fases de análise:  Pré-Análise, Exploração do material e Tratamento dos resultados obtidos e interpretação. RESULTADOS:  Tendo em vista o perfil demográfico dos participantes, 75% evidenciaram a figura materna, na faixa etária de 41 a 50 anos, como principal responsável pela criança ou adolescente no tratamento no CAPSi. A predominância da renda familiar de um salário mínimo, a baixa escolaridade e o não exercício de atividade remunerada compuseram os fatores característicos de uma população em vulnerabilidade social. Entre os usuários, maior frequência foi observada no sexo masculino, na faixa etária entre 11 a 13 anos, com tempo de permanência no CAPSi até dois anos. Os grupos diagnósticos predominantes foram F70-79 (Retardo mental), F 84 (Transtornos globais do desenvolvimento infantil) e F 91(Distúrbios de Conduta).  Os resultados das entrevistas foram organizados em três temas: Motivação para busca de ajuda; Caminhos percorridos / dificuldades até a chegada ao CAPSI e Motivos para desistência do tratamento.  Entre os entrevistados o que motivou a procura de ajuda foram as alterações no comportamento da criança, tais como hiperatividade, heteroagressividade e introspecção, percebidas principalmente pela mãe, entre 2 a 4 anos.  O itinerário terapêutico foi descrito como uma etapa longa e desgastante, em que os familiares se deslocavam entre vários estabelecimentos na atenção básica do SUS, unidades complementares de serviços em saúde mental, bem como profissionais da rede privada. A média de profissionais acessados foi de 6 e tempo médio gasto até o encaminhamento e chegada ao CAPSi foi de 4 anos.  Falta e/ou longa espera por vaga, insatisfação com as terapêuticas, recusa em aceitar o diagnóstico, estigma e sobrecarga materna foram as dificuldades mais citadas na peregrinação por tratamento especializado.  O CAPSi no geral foi bem avaliado pelos usuários, principalmente pelos profissionais capacitados, acolhimento familiar e disponibilização de medicamentos, porém insatisfações foram registradas no diz respeito à grande demanda de pacientes, o número insuficientes de psiquiatras e de outras instituições similares para crianças e adolescentes com transtorno mental grave. Este foi considerado também um dos fatores primordiais para o abandono do tratamento na instituição, além de dificuldades financeiras e o fator geográfico (distância do Capsi para a residência dos usuários). CONCLUSÃO: Considerando a população analisada e os marcadores de vulnerabilidade social a que estiveram expostos, foi possível deduzir que as políticas e serviços relativos à saúde mental de crianças e adolescentes em Maceió ainda se encontra distante do ideal estabelecido em legislações específicas. Isto impacta diretamente na trajetória percorrida por estes usuários, propiciando barreiras de acesso similares às já descritas na literatura, especificamente para os países de baixa e média rendas. A evidência de uma rede ainda fragmentada, sobrecarregada pela carência de investimentos em instituições e profissionais específicos em saúde mental infantil são fatores determinantes para o abandono do tratamento e exigem reformulações por parte de gestões governamentais, visando ampliar o cuidado para um público cada vez mais suscetível ao adoecimento psíquico.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1137473 - CLAUDIO TORRES DE MIRANDA
Interna - 7530212 - MERCIA LAMENHA MEDEIROS
Interna - 2370894 - MICHELLE JACINTHA CAVALCANTE OLIVEIRA
Externa ao Programa - 2319755 - ALESSANDRA PLACIDO LIMA LEITE
Externo ao Programa - 1120865 - ANTONIO CARLOS SILVA COSTA
Externa ao Programa - 2372248 - DANIELA MARTINS LESSA BARRETO
Notícia cadastrada em: 02/05/2022 21:21
SIGAA | NTI - Núcleo de Tecnologia da Informação - (82) 3214-1015 | Copyright © 2006-2022 - UFAL - sig-app-2.srv2inst1 04/07/2022 02:35