Percepção sensorial e respostas comportamentais mediadas por
semioquímicos em Ascia monuste orseis (Godart, 1819) (Lepidoptera:
Pieridae)
Brassicaceae, curuquerê-da-couve, lepidóptera, ecologia química,
monitoramento de pragas, manejo integrado de pragas, compostos
voláteis.
Ascia monuste orseis (Godart, 1819) é um lepidóptero da família Pieri-
dae, e ocorre em todos os estados brasileiros. As lagartas desfolham
preferencialmente, espécies vegetais da família Brassicaceae, sendo
considerada a principal praga da couve, com perdas que podem chegar
a 100%. Seu controle é comumente realizado com produtos químicos,
que eleva o custo da produção, polui o ambiente, além de favorecer a
rápida seleção de insetos resistentes e destruição de inimigos naturais.
O uso de feromônios dentro do (Manejo Integrado de Pragas) MIP tem se
mostrado eficaz, já sendo utilizado para monitoramento e controle de dife-
rentes pragas em diversas culturas, dentre elas frutíferas, hortaliças, florestais
e grãos. O presente trabalho teve como objetivo avaliar o papel dos
compostos 13-metilheptacosano e β-ocimeno na percepção sensorial e
no comportamento quimiotáxico em Ascia monuste orseis. O experi-
mento foi realizado no Laboratório de Pesquisa e Recursos Naturais
(LPQRN) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL); Ovos e lagar-
tas foram coletados em horta cultivada na UFAL e por meio de coletas
manuais em plantio de couve-manteiga, no Eco Rancho do Vovô Paki-
ta. Para coleta dos compostos cuticulares de A. monuste orseis foram
utilizados 10 fêmeas e 10 machos virgens com 48h de idade. Foi reali-
zada a Cromatografia Gasosa Acoplada à Eletroantenografia (CG-
EAG) dos insetos frente ao 13-metilheptacosano. Os extratos cuticula-
res obtidos, bem como padrão interno 13-metilheptacosano, foram
analisados por cromatografia gasosa com detector de ionização em
chamas (GC-FID), a fim de confirmar a presença do composto nos
extratos. Para os bioensaios comportamentais de olfatometria, foi utili
zado um compartimento de vidro com dimensões de 45 cm x 30 cm x
21 cm, inserindo machos e fêmeas com 24 e 48h de idade, separada-
mente. Os dados dos bioensaios foram expressos em porcentagem e
submetidos ao teste de Qui-quadrado a 1% de significância via softwa-
re SAS, as representações gráficas foram geradas no programa Sigma-
Plot. No EAG as fêmeas mostraram resposta de atividade ao composto
13-metilheptacosano, diferente dos machos que não responderam. No
CG-FID, o pico correspondente ao padrão interno sintético13-
metilheptacosano coincide com os picos encontrados nos extratos, con-
firmando sua presença. Os bioensaios de olfatometria revelaram que o
composto 13-metilheptacosano não exerceu efeito atrativo sobre fê-
meas virgens com 24h de idade. Com 48h as fêmeas responderam ao
composto. O 13-metil-heptacosano não atuou como um sinal atrativo
para machos com 24 e 48h de idade. Já o β-ocimeno (500 e 1000 ppm)
em ambas concentrações e idades não obteve resposta favorável ao
composto em fêmeas. O mesmo acontece para machos. Conclui-se que
apesar de ambos apresentarem o 13-metilheptacosano, apenas as fê-
meas demostraram ser sensíveis/atraídas ao composto e a idade sexual
é um fator importante. O β-ocimeno não exerce papel de recrutamento
para ambos os sexos, podendo estar associado a mecanismos de com-
petição intraespecífica ou antiafrodisíaco. É necessário novos estudos
envolvendo diferentes concentrações, tempos de exposição e combina-
ções com outros compostos voláteis para melhor compreensão do pa-
pel desse semioquímico no comportamento da espécie.