SEMIOQUÍMICOS E NOVAS TECNOLOGIAS: EFICIÊNCIA A CAMPO DO FEROMÔNIO SEXUAL DE Opsiphanes invirae (LEPIDOPTERA: NYMPHALIDAE), ECOLOGIA QUÍMICA DE Euscepes postfasciatus (COLEOPTERA: CURCULIONIDAE), USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E NOVAS MÉTRICAS NA ANÁLISE DE COMPORTAMENTO DE INSETOS
Semioquímicos, feromônio, controle de pragas, MIP, ecologia química, IA.
A ecologia química, ao investigar as interações mediadas por compostos químicos entre organismos e seu ambiente, constitui uma abordagem estratégica para o manejo sustentável de pragas agrícolas. Integramos estudos sobre semioquímicos, avaliação comportamental e aplicação de ferramentas digitais no monitoramento de pragas de importância econômica. No primeiro capítulo, avaliou-se a eficiência de formulações sintéticas do feromônio sexual da lagarta-desfolhadora, Opsiphanes invirae (Lepidoptera: Nymphalidae), em cultivos de palma de óleo (Elaeis guineensis). Experimentos de campo compararam formulações contendo melaço de cana-de-açúcar associadas a diferentes preparações do feromônio, destacando-se a formulação composta por (E)-β-farneseno, (E)-nerolidol, (Z)-7-heptadeceno e (E)-β-ocimeno. A inclusão regular de (E)-β-ocimeno potencializou significativamente a atratividade, especialmente para fêmeas em estágio reprodutivo. A captura antecipada de fêmeas reduziu o número de ovos a campo e mostrou-se mais eficiente em condições de baixa densidade populacional, evidenciando a importância do momento de intervenção. O segundo capítulo consistiu em uma revisão sistematizada das principais pragas da batata-doce (Ipomoea batatas) e do uso de feromônio no manejo integrado. Foram discutidos os principais semioquímicos identificados, abordando suas estruturas químicas, suas aplicações em campo e suas limitações operacionais. Destacou-se o papel dos feromônios sexuais e de agregação no monitoramento, na captura massal e na interrupção do acasalamento, bem como os desafios relacionados à dependência de densidade populacional. O terceiro capítulo investigou a ecologia química da broca-da-batata-doce Euscepes postfasciatus (Coleoptera: Curculionidae). Foram identificados compostos voláteis emitidos por raízes infestadas, incluindo monoterpenos alcoólicos e aldeídos como linalol, citronelol, geraniol, nerol e citral, caracterizados como voláteis induzidos por herbivoria (HIPVs). Também foram identificados compostos liberados pelos insetos adultos, como 2-heptanona, nonanal, decanal e etilacetofenonas, além de hidrocarbonetos da cutícula de cadeia longa detectáveis eletrofisiologicamente, sugerindo possível função na comunicação intraespecífica a curta distância. O quarto capítulo abordou a aplicação de inteligência artificial na análise comportamental de Rhynchophorus palmarum (Coleoptera: Curculionidae) em bioensaios com o feromônio de agregação Rincoforol®, utilizando um olfatômetro em Y e rastreamento automatizado por vídeo (software ToxTrac). Foram quantificados os índices de atividade locomotora, de exploração espacial e de preferência relativa. O feromônio aumentou significativamente a exploração da zona de estímulo e a orientação direcionada. A análise automatizada proporcionou maior precisão e reprodutibilidade na quantificação comportamental. Em conjunto, os resultados demonstram o potencial dos feromônios e de outros semioquímicos como ferramentas específicas, sustentáveis e estratégicas no manejo integrado de pragas, ressaltando a importância da otimização de formulações e da incorporação de tecnologias digitais para aprimorar o monitoramento e a tomada de decisão em programas de manejo.