SEMIOQUÍMICOS NO CONTROLE DE Erinnyis ello (Linnaeus, 1758) (Lepidoptera: Sphingidae) NA CULTURA DA MANDIOCA Manihot esculenta (Crantz, 1766) (Malpighiales:Euphorbiaceae)
Atividades Agrícolas. Semioquímicos. Manejo Sustentável de Pragas
Manihot esculenta (Crantz,1766) (Malpighiales:Euphorbiaceae) está entre as culturas de grande relevância para a alimentação humana e animal e sua produção se sobressai no Nordeste brasileiro. É uma cultura ligada a pequenos produtores, historicamente associada à subsistência, e apresenta uma composição rica em nutrientes essenciais para uma alimentação equilibrada. Utilizam-se as folhas, o caule e as raízes, que constituem uma importante fonte de energia para a maior parte da população, sobretudo do interior, que depende da mandiocultura, seja diretamente na alimentação, seja no trabalho e na comercialização. É comum a ocorrência de pragas nos cultivos, sendo o mandarová-da-mandioca, Erinnyis ello (Linnaeus, 1758) (Lepidoptera: Sphingidae), um dos insetos-praga de maior importância para a cultura da mandioca, devido aos danos diretos e indiretos causados pela desfolha e pela destruição de hastes e brotações. O emprego de feromônios e de voláteis de plantas como método de monitoramento e controle de pragas vem ganhando espaço na agricultura moderna por ser eficiente, barato e ambientalmente correto. Táticas sustentáveis e eficazes para o monitoramento, controle e/ou manejo integrado de pragas tornam-se uma opção viável para a substituição e/ou a redução do uso de inseticidas sintéticos. Neste trabalho, temos como objetivo prosseguir com o estudo do feromônio de E. ello para sua aplicação no monitoramento e no manejo integrado de pragas (MIP) no cultivo de M. esculenta. Este estudo será desenvolvido no Laboratório de Pesquisa em Recursos Naturais (LPqRN), no Campus Aristóteles Calazans Simões da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), no período de 2025 a 2029, dando continuidade à pesquisa já iniciada sobre o controle da praga E. ello no cultivo de mandioca. Serão realizadas coletas de ovos, lagartas, pré-pupas e pupas do inseto-praga, em cultivos de mandioca de alguns municípios do Estado de Alagoas. Uma colônia de insetos destinada à perpetuação da espécie será estabelecida por meio da introdução frequente de novos espécimes. Técnicas de headspace dinâmico e extração de glândulas serão utilizadas, assim como a extração com solvente das partes do corpo dos insetos, permitindo a obtenção dos compostos voláteis. A análise por cromatografia gasosa (CG) e a cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (EM) permitirão a identificação das estruturas químicas, e a análise por eletrofisiologia (CG/EAG) indicará a presença de compostos eletrofisiologicamente ativos. Os bioensaios serão realizados com as substâncias ativas e com combinações dessas substâncias por olfatometria. O ensaio de olfatometria permitirá distinguir o tipo de ação da substância. Com a caracterização das substâncias ativas, será proposta uma formulação a ser testada para aplicação no controle e no monitoramento da praga. Espera-se que essa proposta contribua para ampliar o conhecimento científico sobre a ecologia química do inseto-praga E. ello e sobre as substâncias químicas responsáveis pela comunicação entre estes insetos. Com a identificação do feromônio, iscas atrativas serão desenvolvidas para uso em plantios no manejo integrado da praga.