TRANSFORMAÇÕES NAS RELAÇÕES DE TRABALHO NA ERA DAS PLATAFORMAS DIGITAIS: PRECARIZAÇÃO, PEJOTIZAÇÃO E AS CONTRARREFORMAS NEOLIBERAIS
Pejotização; Plataformização; Contrarreformas Neoliberais; Precarização.
A pesquisa investiga as transformações contemporâneas das relações de trabalho no capitalismo, com ênfase nos processos de pejotização, nas contrarreformas trabalhistas e na plataformização, articulando uma análise crítica entre o Direito e o Serviço Social. Partindo de um panorama inicial dos dados da realidade brasileira e do estado da arte, o estudo examina como as reconfigurações produtivas e políticas do capitalismo dependente incidem sobre os direitos trabalhistas, produzindo novas formas de precarização. A fundamentação teórico-metodológica apoia-se no materialismo histórico-dialético, permitindo compreender a pejotização não como mera inovação contratual, mas como estratégia empresarial de desproteção trabalhista, impulsionada por reformas normativas, pressões do lobby corporativo e pela expansão de modelos de terceirização. O trabalho analisa ainda o avanço da pejotização na América Latina e seus efeitos sobre direitos indisponíveis, evidenciando o tensionamento entre regulação jurídica e necessidades do capital. A qualificação de doutoramento dedica atenção ao papel do Estado, destacando sua captura por agendas neoliberais que transformam a legislação trabalhista em instrumento de flexibilização precarizante. Examina-se a erosão da representação coletiva — enfraquecimento sindical, crise de organização da classe trabalhadora e impactos das contrarreformas — no contexto de capitalismo financeirizado e dependente. A pesquisa aprofunda as mudanças estruturais da plataformização, abordando modelos de plataformas, a problemática do vínculo empregatício e a subordinação algorítmica, que reforça formas invisibilizadas de controle e intensificação do trabalho. Discute-se a falácia da autonomia propagada pela "nova economia" e evidencia-se a ampliação de riscos sociais transferidos aos trabalhadores. Por fim, realiza-se uma análise crítica da plataformização no Direito brasileiro, confrontando-a com princípios fundamentais do Direito do Trabalho, com experiências regulatórias internacionais e com os elementos caracterizadores da relação de emprego. O estudo demonstra que as plataformas digitais reatualizam a lógica histórica de exploração do trabalho, ao mesmo tempo em que produzem novas formas de mercantilização da força de trabalho, exigindo respostas jurídicas e políticas capazes de reinscrever a centralidade da proteção social.