CRÍTICA À RACIALIZAÇÃO COMO FORMA DE LUTA ANTIRRACISTA
Racialização, antirracismo, marxismo
O tema da presente pesquisa é a racialização como expressão do racismo. Tendo em vista que toda organização social pautada no racismo expressa, como forma inevitável, um tipo de racialização. Isto quer dizer: violência. Assim, o nosso objetivo é evidenciar que, como expressão de uma violência, como reiteração da alienação posta pelo capital nas sociedades coloniais, a racialização não pode ser uma mediação à luta antirracista. Pois, apreendemos que, independentemente das intenções positivas dos movimentos e organizações políticas, o racismo ao longo da história significou tragédias – ainda significa nos dias de hoje – imensuráveis para uma população humana em particular. A importância social deste estudo para o
Serviço Social, assim como para as ciências humanas em geral, parte da apreensão de que há uma perspectiva de fim como horizonte e ela não está na reiteração dessa violência que reduz toda potencialidade de vida social aos limites do racismo. Nos termos de Fanon (2018), uma sociedade é racista ou não é, reiterar isso como perspectiva é o fim de qualquer saída. Por isso, pretendemos evidenciar que a luta antirracista não pode ser uma luta em defesa da raça. Não é mais sobre quem é ou não negro, mas sobre o que a raça ao longo da história produziu. Portanto, a nossa investigação apoiou-se nos levantamentos bibliográficos e documentais dos aportes teóricos para, a partir dos pressupostos da crítica da economia política, mais especificamente, da teoria social fundada por Karl Marx e da denúncia feita por Lukács (2020), Fanon (2008) e Ianni (1978) acerca da natureza da perspectiva racial, ou melhor, como essa perspectiva não pôde significar outra coisa senão tragédia, nos aproximar da crítica à racialização como forma de luta antirracista.