Da Teologia da Libertação às Teologias Neopentecostais: o espírito do capitalismo neoliberal e a metamorfose do campo religioso latino-americano
Neopentecostalismo; Neoliberalismo; Teologia da Libertação; Teologia do Domínio.
O presente trabalho tem como tema a relação dialética entre a religião e as estruturas econômicas. De maneira mais precisa, o objeto de pesquisa ora estudado são as transformações do campo religioso cristão na América Latina (e especialmente no Brasil) como resultado das mudanças do capitalismo no continente. Não é um trabalho de Teologia ou de Religião, mas uma pesquisa multidisciplinar que busca analisar como as transformações na base material (a crise do capitalismo na década de 1970 e o advento do neoliberalismo) moldam as superestruturas (as novas teologias). A justificativa desta pesquisa reside na necessidade de compreender as raízes religiosas da nova racionalidade política na América Latina. Diante do esgotamento dos projetos coletivos de libertação e da consolidação da hegemonia neoliberal, as teologias da prosperidade e do domínio emergem não apenas como fenômenos cúlticos, mas como dispositivos de legitimação de uma ordem econômica baseada no empreendedorismo de si e no desmonte das políticas sociais. Assim, este trabalho se propõe a analisar como o 'espírito do capital' metamorfoseou o sagrado latino-americano, transformando o antigo clamor por justiça social, característico da Teologia da Libertação, em um projeto de conquista institucional e prosperidade individual. A pesquisa caracteriza-se como um estudo de natureza teórico-analítica, fundamentada em levantamento bibliográfico e análise sociodemográfica. Seu marco teórico é o Materialismo Histórico, que referencia o método de pesquisa e serve de base para os principais conceitos utilizados na pesquisa. A análise da expansão das igrejas protestantes no Brasil a partir dos anos 1990 teve como base dados do IBGE, seja de Censos Demográficos, seja de PNADs (Pesquisa Nacional por Análise de Domicílios). Também será utilizado o conceito weberiano de “afinidades eletivas”, para discutir a relação entre as teologias neopentecostais e o neoliberalismo. Foi constatado que as igrejas neopentecostais ocuparam o vácuo deixado nas periferias pelo refluxo da Teologia da Libertação e pela perda de espaço das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Tais igrejas propõem a Teologia da Prosperidade, uma leitura muito específica do cristianismo, reacionária e relacionada com os valores e ideias da ideologia neoliberal. Esta vertente do cristianismo se desenvolve e ganha espaço a partir da crise estrutural do capitalismo e do desmonte do Estado interventor e legitima o ataque do capital contra as políticas sociais. O grande crescimento do número de evangélicos no brasil os torna relevantes em contextos eleitorais e a Teologia do Domínio aparece nos últimos anos como parte do projeto de poder da extrema direita na América Latina e, sobretudo, no Brasil.