Universidade, Ações Afirmativas e Resistência Indígena: Trajetória de
Permanência das/os estudantes Indígenas na Universidade Federal de Alagoas – Campus Arapiraca.
Universidade; Ações Afirmativas; População Indígena;
A pesquisa discute o acesso à universidade como espaço estratégico para a afirmação étnica e
política dos povos indígenas, contrastando o avanço no ingresso via ações afirmativas com o
desafio da permanência nos âmbitos econômico, político, cultural e acadêmico. Historicamente
marcado por privilégios de classe, gênero e raça/etnia, o ensino superior brasileiro é tensionado pelas
políticas de cotas. Compreendemos que as políticas de cotas representaram a abertura de um
novo horizonte de expectativas, ainda que fundamentadas em uma matriz liberal e contradições
para as populações negras e indígenas. Contudo, tais políticas não devem ser concebidas como
um fim em si mesmas, mas sim como instrumentos para a constituição de um corpo político
crítico, capaz de problematizar o histórico de exclusão racial e étnica no ensino superior. O
estudo foca na política de permanência dos estudantes indígenas da Ufal – Campus Arapiraca,
buscando responder como se dá o cotidiano de suas relações sociais e acadêmicas e qual o
significado dessa formação. Daí surge o problema da nossa pesquisa: Considerando que a
universidade tem uma história baseada numa visão de mundo ocidental/eurocêntrica, além de
uma formação acadêmica voltada, predominantemente, para o mercado de trabalho, essa
formação pode, de fato contribuir para uma formação para além do mercado de trabalho, e que
sirva, sobretudo, como ferramenta estratégica tanto para afirmação étnica quanto para o
fortalecimento comunitário dos povos indígenas. A hipótese levantada é de que o acesso à
universidade de forma isolada é insuficiente, sendo necessária uma formação acadêmica e
epistemológica que transcenda a lógica do capital e a visão eurocêntrica de mundo. O objetivo é
analisar as experiências de permanência desses estudantes, considerando as dinâmicas sociais e
políticas que permeiam sua trajetória acadêmica, compreendendo o significado político-
pedagógico da sua formação e os limites do diálogo intercultural. A fundamentação teórica
adota o método materialista histórico-dialético para analisar a condição material de existência
indígena, onde a terra é compreendida como síntese da vida (matéria e espírito). Parte-se do
entendimento de que a história de luta dos povos indígenas, especialmente diante do processo de
expropriação de seus territórios, no contexto do capitalismo dependente, tem levado esses povos
a migrarem em busca de estratégia de resistência e sobrevivência, seja o mercado formal de
trabalho ou de uma formação educacional, como, por exemplo, a formação acadêmica. No
campo metodológico, a pesquisa enfrentou desafios como a tramitação no comitê de ética (CEP
e CONEP), que ocasionou atrasos no cronograma, e a dificuldade de localização dos
participantes devido à ausência de dados institucionais desagregados sobre estudantes indígenas
no campus. A coleta de dados baseou-se em entrevistas e levantamento socioeconômico.