AS IMPLICAÇÕES DAS INUNDAÇÕES DO RIO MUNDAÚ PARA
ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO URBANO EM SANTANA DO MUNDAÚ/ AL
Vulnerabilidade social; Inundações; Ordenamento territorial; Gestão.
Esta dissertação analisa a relação entre as inundações do rio Mundaú e a organização do espaço urbano no município de Santana do Mundaú, localizado na Zona da Mata alagoana. Parte-se do entendimento de que as enchentes que atingem o município não podem ser compreendidas apenas como fenômenos naturais, mas como processos socioambientais historicamente construídos, resultantes da ocupação territorial desordenada, da fragilidade do planejamento urbano e da ausência de políticas públicas estruturantes. A pesquisa busca compreender como esses fatores contribuem para a produção da vulnerabilidade socioespacial, especialmente nas áreas ribeirinhas, e como influenciam os processos de reorganização do território após eventos extremos, com destaque para a enchente de 2010. A abordagem metodológica fundamenta-se no materialismo histórico e dialético, adotando procedimentos qualitativos, como revisão bibliográfica, análise documental e levantamento de dados secundários relacionados ao uso do solo, saneamento básico, saúde pública e registros fotográficos. Os resultados evidenciam que a permanência e a reocupação de áreas de risco estão diretamente associadas às desigualdades sociais e à insuficiência de políticas habitacionais e de ordenamento territorial, o que intensifica os impactos das inundações sobre as condições de moradia, a infraestrutura urbana e a saúde da população. Constata-se que as inundações afetam de maneira mais intensa os grupos socialmente vulneráveis, agravando a precariedade habitacional e comprometendo o acesso a serviços essenciais. Nesse contexto, o território revela-se como espaço vivido, marcado por memórias, vínculos simbólicos e estratégias de resistência da população mundauense. Conclui-se que o enfrentamento dos impactos das enchentes em Santana do Mundaú exige ações integradas de planejamento territorial, saneamento, habitação e gestão de riscos, orientadas pelos princípios da justiça socioambiental e da promoção de cidades mais resilientes e sustentáveis.