“A CARNE MAIS BARATA DO MERCADO É A CARNE NEGRA”: ESPACIALIZAÇÃO DO RACISMO EM MACEIÓ/AL E SEUS IMPACTOS NA CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE NEGRA DOS DISCENTES DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
Espaço; racismo estrutural; desigualdade socioespacial.
Atualmente, os casos de racismo têm intensificado e ganhado maior visibilidade na sociedade brasileira. Esse fenômeno sistêmico e estrutural possui raízes históricas consolidadas no processo de colonização do território brasileiro pelos europeus e, ao longo do tempo, vem se sofisticando ao que se refere as suas formas de manifestação. O que antes se apresentava de maneira velada, hoje pode ser evidenciado de forma mais explícita em diferentes esferas da sociedade, sejam nos setores econômicos, políticos e/ou culturais. Neste sentido, esta pesquisa tem como objetivo investigar como o racismo tem se espacializado na cidade de Maceió/AL a partir das experiências racistas vivenciadas pelos (as) discentes negros (as) do curso de Geografia do Campus A.C. Simões da Universidade Federal de Alagoas nos diferentes territórios da cidade Maceió/AL, buscando analisar como essas experiências têm impactado na construção de suas identidades negras. Parte-se do pressuposto que o racismo exerce um papel estruturante na formação socioespacial e, à medida que materializa no espaço geográfico, resulta na segregação das espacialidades da população negra, intensificando as desigualdades socioespaciais e raciais. A cidade de Maceió/AL, enquanto lócus da pesquisa reproduz e reflete de forma explicita a sua estrutura racista. Esse estudo está consubstanciado em uma abordagem metodológica qualitativa, cujo os procedimentos metodológicos incluem levantamento bibliográfico, trabalho de campo, roda de conversa, observação sistemática, questionário e triangulação dos dados. Como aportes teóricos destacam-se: Munanga (2003), Santos (2011), Corrêa (2018), Almeida (2018), Haesbaert (2004), entre outros autores que dialogam com os conceitos de espaço, racismo, território e identidade negra. Os resultados demostram que as situações de racismo vivenciadas pelos (as) participantes ocorreram em diferentes bairros e em instituições públicas e privadas, envolvendo práticas como a violência policial racializada, o racismo religioso, estético e epistêmico, entre outras formas de discriminação racial. Além disso, os relatos evidenciam que a violência racista vivenciada pelos (as) participantes causou danos pessoais e emocionais, interferindo diretamente no processo de construção de suas identidades negras. Espera-se que os resultados desse estudo contribuam para o desenvolvimento de políticas públicas efetivas de enfrentamento ao racismo na cidade de Maceió/AL, e para o fortalecimento das práticas de resistência, pertencimento e (re) construção identitária da população negra, e concomitantemente para o desenvolvimento de Geografia decolonial comprometida com a luta por justiça racial.