Aedes aegypti; Biologia Molecular; Culex quinquefasciatus; Saúde Única; Vulnerabilidade Entomológica e Socioambiental.
As doenças infecciosas dependem da relação entre a natureza e o comportamento humano, sendo que falhas nessa interação, ampliadas por mudanças ambientais antropogênicas, elevam a incidência de arboviroses. As arboviroses são sensíveis ao clima – o Culex quinquefasciatus atua como espécie oportunista em habitats degradados, enquanto o Aedes aegypti prefere áreas urbanas estáveis. Em Maceió/AL, a mineração de sal-gema pela Braskem causou o “vazio urbano” e criou nichos de degradação favoráveis à proliferação desenfreada desses vetores. O objetivo desta pesquisa consiste em avaliar a presença dos vírus Dengue (DENV), Zika (ZIKV) e Chikungunya (CHIKV) em área impactada pela mineração, comparando a abundância e diversidade de vetores com áreas controle. A hipótese central sustenta que a alteração ambiental e o deslocamento populacional forçado contribuem para o surgimento de arboviroses e aumentam o número de vetores potencialmente positivos nas áreas degradadas. A pesquisa consistiu em um estudo transversal com 12 semanas de capturas entomológicas (outubro/2025 a março/2026) utilizando aspiradores elétricos em quatro grupos: Flexal (área impactada), Coqueiro Seco, Ponta Verde e Jardim Petrópolis (controles). O processamento laboratorial no LAPEVI/UFAL incluiu a identificação taxonômica, extração automatizada de RNA (sistema Extracta 96 – Loccus) com padronização de proteinase K e controle interno e detecção por RT-qPCR com o Kit Molecular ZDC (Bio-Manguinhos). Os resultados parciais revelam a coleta de 2.019 mosquitos, com o Flexal apresentando a maior densidade absoluta (45,27% do total). Confirmou-se uma segregação taxonômica nítida: o Flexal apresentou dominância massiva de Culex quinquefasciatus (80,7%). As análises estatísticas, através do Teste de Kruskal-Wallis, indicaram heterogeneidade espacial significativa (p < 0,0001), e a Correlação de Spearman (p = 0,7500) provou que a infestação não depende da metragem das áreas, mas de fatores antropogênicos. O teste do Qui-Quadrado (p < 0,0001) confirmou um risco ambiental direcionado, enquanto o Índice de Shannon revelou menor diversidade no Flexal (1,154) em relação ao Jardim Petrópolis (1,320), atestando o estresse ambiental. Por fim, o Índice de Vulnerabilidade Entomológica e Socioambiental (IVES) normalizou o risco frente ao esvaziamento populacional, evidenciando que o Flexal (53,47) possui um risco quase duas vezes superior à Ponta Verde (28,71) e 14,9 vezes maior que o Jardim Petrópolis.