Desempenho diagnóstico de um teste imunocromatográfico para detecção de anticorpos anti-Leishmania sp. em cães de área endêmica do estado de Alagoas.
Leishmaniose Visceral Canina, Sorologia, Imunocromatografia.
A Leishmaniose Visceral Canina (LVC) é uma zoonose infecciosa não contagiosa de importância para a saúde pública, causada por protozoários do gênero Leishmania, sendo os cães os principais reservatórios domésticos. O Brasil é o principal país endêmico da Região das Américas, e a doença permanece amplamente distribuída, especialmente nas Regiões Norte e Nordeste. A evolução clínica da infecção é influenciada pela interação entre o parasito e a resposta imunológica do hospedeiro, enquanto seu diagnóstico representa um desafio devido à ausência de um método considerado padrão de referência único e às limitações dos métodos clínicos, parasitológicos, sorológicos e moleculares atualmente disponíveis. Entre os métodos empregados na rotina diagnóstica, os testes sorológicos desempenham papel fundamental nas ações de vigilância e controle da doença. No Brasil, o protocolo diagnóstico recomendado pelo Ministério da Saúde utiliza o teste imunocromatográfico DPP® como método de triagem e o ELISA-LVC como teste confirmatório. Entretanto, os desempenhos desses testes podem variar em função do estágio da infecção, da resposta imunológica do hospedeiro e dos antígenos empregados, estimulando a investigação de novos antígenos recombinantes capazes de aprimorar o diagnóstico da infecção. Esta dissertação contempla uma revisão dos principais aspectos relacionados à LVC. Além disso o estudo teve como objetivo avaliar o desempenho diagnóstico do teste imunocromatográfico LFIA-rNT2.neg, baseado em um antígeno recombinante otimizado, em comparação aos métodos sorológicos empregados na rotina diagnóstica da doença. Foram analisadas 187 amostras de cães domiciliados e semidomiciliados provenientes de quatro municípios do estado de Alagoas, Brasil. O desempenho diagnóstico do LFIA-rNT2.neg foi avaliado utilizando como padrões de referência o DPP®, o ELISA-LVC e o critério combinado DPP® + ELISA-LVC. Adicionalmente, foram realizados a qPCR para detecção do gDNA de Leishmania sp. e o teste SNAP® 4Dx®, utilizados apenas como métodos complementares ao estudo. O LFIA-rNT2.neg apresentou a maior frequência de positividade entre os métodos avaliados, com 26,20% (49/187) de amostras reagentes, enquanto o DPP® apresentou 17,11% (32/187), o ELISA-LVC 5,34% (10/187) e o critério combinado DPP® + ELISA-LVC 4,81% (9/187). Considerando a ausência de um padrão de referência único para o diagnóstico da LVC e as limitações dos métodos utilizados, os achados sugerem que a utilização de antígenos recombinantes otimizados representa uma estratégia promissora para o aprimoramento do diagnóstico sorológico da doença. Entretanto, estudos adicionais envolvendo diferentes populações caninas e a utilização combinada de métodos sorológicos, moleculares e parasitológicos ainda são necessários para aprofundar a avaliação do desempenho do LFIA-rNT2.neg.