Banca de QUALIFICAÇÃO: SAMUEL SANTOS DE OLIVEIRA



Uma banca de QUALIFICAÇÃO DE MESTRADO foi cadastrada pelo programa.

DISCENTE: SAMUEL SANTOS DE OLIVEIRA
DATA: 10/07/2019
HORA: 16:00
LOCAL: Sala 204 da Faculdade de Economia Administração e Contabilidade - FEAC.
TÍTULO:

O comércio entre Brasil e Estados Unidos no contexto das Cadeias Globais de Valor e seus efeitos


RESUMO:

O panorama econômico mundial vem sofrendo várias mudanças significativas em sua
composição, sobretudo nas últimas décadas. Tais mudanças estão ligadas principalmente à
maneira de como se produzir. A incessante busca pela minimização dos custos de produção
atrelada a constante evolução da capacidade tecnológica, em especial nos países centrais,
permitiram a intensificação da fragmentação do processo produtivo levando à formação de
Cadeias Globais de Valor (CGV), um sistema global de produção no qual suas várias etapas
são executadas em diferentes países e em uma diversidade de empresas.
A possibilidade de que países atuem no desenvolvimento de apenas um ou alguns
segmentos da produção aprofundou a especialização comercial e produtiva, de forma a ser
necessário que um dado país adquira capacidade para dominar, apenas, um ou alguns
segmentos da cadeia de produção, ampliando sua dependência por insumos estrangeiros para
a produção e exportação de bens domésticos. Isso implicou no considerável aumento dos
fluxos de comércio entre países e regiões, sobretudo, de insumos intermediários e em uma
maior interdependência das economias (UNCTAD, 2013).
Neste novo cenário, houve um reposionamento dos papeis dos países no comércio
internacional. De um lado, a China juntamente com outros países do Leste Asiático,
conhecidas por serem “factories”, cujas exportações são formadas boa parte por conteúdo
estrangeiro importado, passaram a se apropriar de parte da produção de manufaturados de
baixa tecnologia e bens intensivos em mão de obra e têm caminhado para etapas ainda mais
tecnológicas nas CGV no período recente (WONG, 2012). Do outro lado, as “headquarters”,
economias desenvolvidas como os Estados Unidos e Alemanha inicialmente aderiram a esses
movimentos de fragmentação e passaram a realizar offshoring (terceirização para o exterior)
de parte da produção de manufaturados de baixa tecnologia se especializando nas etapas de
maior conteúdo tecnológico (BALDWIN, 2013). Nessa divisão espacial da produção, o
Brasil, especializado em commodities e recursos naturais ficou à margem dessas mudaças com
pouca capacidade tecnológica para adicionar valor nas CGV em que estão inseridas ou se
moverem para etapas produtivas capazes de gerar maior valor adicionado, como posições a
montante em setores industriais (HERMIDA, 2016).
Apesar dos resultados positivos obtidos pela China nos últimos anos no que tange à
sua crescente participação no comércio, às suas elevadas taxas de crescimento econômico e ao
transbordamento tencológico promovido pela participação em CGV em setores
manufatureiros (WONG, 2012), a participação de um país no processo produtivo fragmentado não lhe assegura automaticamente ganhos similares aos de seus parceiros comericiais.
Gereffi (2013) aponta que se os países apenas se engajarem em atividades produtivas
simples, como processamento de produtos primários ou montagem de partes e componentes
importados, então eles não poderão desenvolver nem suas próprias instituições, nem o
conhecimento, nem o mercado consumidor necessário para criar e sustentar indústrias inteiras.
Nesse caso, esse tipo de inserção seria menos significativa e útil no que tange as
possibilidades de ganhos de longo prazo para a geração de um maior valor de produção.
Portanto, embora existam evidências de que a participação em CGV pode possibilitar a
ampliação da competitividade e e da industrialização por meio dos efeitos de adensamento
sobre a produção das cadeias produtivas domésticas, a integração às CVG não podem ser
entendidas como uma “panacéia para o desenvolvimento” (STURGEON; MEMEDOVIC,
2011).
Para que um país possa extrair os beneficíos da fragmentação internacional da
produção é fundamental que suas relações comerciais possam promover uma maior captura de
valor adicionado ou uma possibilidade de upgrading, no sentido de migrar para etapas do
processo produtivo ou setores que possam adicionar maior valor à produção total do país,
como atividades de P&D, desenho e concepção do produto ou produtos de média e alta
tecnologia (MEDEIROS, 2011).
Em linhas gerais, esse é o cenário que o Brasil está inserido nos últimos anos e diante
dessa discussão sobre os ganhos da participação em CGV é imperativo avaliar sua inserção
comercial à luz desse fenômeno a fim de contribuir para o desenho de políticas públicas
voltadas à melhores resultados para a produção nacional. Nesse sentido, esta dissertação
busca apresentar dados sobre tal inserção comercial, especialmente por meio do comércio
com os Estados Unidos e seus impactos sobre a estrutura produtiva brasileira.


PALAVRAS-CHAVE:

Comércio bilateral; Cadeias Globais de Valor; fragmentação; Brasil; Estados Unidos.


PÁGINAS: 22
GRANDE ÁREA: Ciências Sociais Aplicadas
ÁREA: Economia
SUBÁREA: Economia Internacional
ESPECIALIDADE: Relações do Comércio; Política Comercial; Integração Econômica

MEMBROS DA BANCA:
Interno(a) - 1870794 - ANDERSON MOREIRA ARISTIDES DOS SANTOS
Externo(a) ao Programa - 1914572 - CAMILA DO CARMO HERMIDA
Externo(a) ao Programa - 2002234 - NATALLYA DE ALMEIDA LEVINO
Notícia cadastrada em: 12/06/2020 14:50
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